quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quando o avião decolar...

Talvez seja uma das cenas que merece destaque em minha vida.
Pesquisando, olhando, descobri algo que não queria, é o resultado de bisbilhotar coisas alheias. O que semanas me deixou pensativa, reflexiva, extasiada.
Sabe o mais estranho? Tudo isso ia me fazer bem, eu precisava que isso acontecesse, precisava te esquecer...
Sabia que Alexander Pope tinha razão quando dizia:

"Feliz é o destino do inocente,
Esquecido pelo mundo que ele esqueceu
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!"

O caminho era te esquecer, mas como fazer isso se olhava diretamente nos seus olhos, se deitava em nuvens quando escultava as melodias que você tocava, se delirava no seu perfeito sorriso, se no alto poderia ver os frutos de seu trabalho? Precisava que você fosse...
Mas meu coração ficava apertado cada vez que pensava nisso, o que eu queria era que você ficasse, assim saberia ao menos se estava bem... Que paradoxo...
Agora, estou eu, sentada sozinha em um Aeroporto, rodeada de pessoas desconhecidas, que talvez tenham passado ou passem pelo que passo,  aflita, porque quando o avião decolar, vai ser hora de te dizer adeus.
Como gostaria que esse momento nunca acontesse... Te ver, te tocar, te abraçar...
Se faz na minha mente uma retrospectiva, e de fundo, toca uma musica que diz:

"Eu poderia fazer você feliz, fazer os seus sonhos se tornarem reais
Nada que eu não faria, vou ao fim da Terra por você,
Para fazer você sentir o meu amor" (A.)
Sinto meu coração apertar, e lágrimas encher meus olhos, mal consigo ficar em pé e tudo em volta parece desaparecer, quando vejo você passar, ansioso pela nova "vida", com uma bolsa nas mãos, dando thal e distribuindo sorrisos a todos familiares que resistem em mostrar que vais fazer falta. Escondida, observo tudo atenciosamente, com aquela tipica vontade de correr e implorar para você não ir. Mas a falta de coragem, o medo fazem com que eu fique ali, parada vendo você partir. E é isso que acontece, aos pocos você desaparece pelo corredor, lágrimas escorrem em meu rosto, não consigo conté-las, são inevitáveis...
Enfim, o avião decola, dando adeus a tantos anos de amor que dediquei a você...
Agora é hora de recolher as desilusões espalhadas pelo chão, e seguir em frente. Se te verei novamente não sei, contudo, por obrigação deixo essa tarefa para o destino, que não vai me desamparar. Enxugo as lágrimas e sinto que o mundo voltou a girar, sento no ônibus de volta pra casa, com um livro em mãos, começo a ler..

"Se nos fosse permitido apagar do pensamento
momentos que nos magoaram
que nos trouxeram a dor,
por certo afastaríamos de nós o sofrimento,
de nós tiraríamos a  desilusão que nos causa um amor…
Mas, o amor…
ah! o amor…
sentimento que nos domina por inteiro,
misto de sonhos e verdades
não se tira, não se arranca de dentro do peito,
aconteça lá o que for.

Podemos até arrancar de nós tantos outros momentos,
seja da cabeça e até do coração
mas o amor, o verdadeiro, que é pra sempre
se faz perpétuo, se aloja e não tem jeito
é o brilho eterno que fica em nossa mente,
mesmo que todas as outras lembranças
se façam apagar."

(Regina Azenha) Restirado daqui.


Att, LizzieCaroline




Um comentário:

Bruno disse...

Palavras brilhantes de um mente brilhante parabéns Lizzie